Ambientes de Marketing, Consumo, Pesquisa de Marketing, Teoria do Consumidor

A informação está disponível para quem quiser usar

No fechar das cortinas de 2013, o IBGE publicou um trabalho interessantíssimo e que além de ter pouca repercussão deverá, muito provavelmente, ser pouco utilizado de maneira adequada pelas empresas de forma geral. Trata-se do Produto Interno dos Municípios 2010 e que tem inúmeras informações sobre a riqueza gerada por cada município e que ajuda a identificar o poder de compra de uma cidade e, em outras palavras, identificar o potencial de consumo de cada uma.

Uma coisa é observar que São Paulo, por exemplo, contribui com 11,77% de todo o PIB brasileiro, o que é de se esperar de uma cidade que reúne tantas forças econômicas concentradas em um único local. Outra coisa é verificar que a mesma cidade, não está listada dentre os 100 maiores PIB´s per capita. Neste quesito por sua vez, logicamente que com populações muito menores do que a maior cidade brasileira, aparecem, por exemplo, em primeiro lugar, São Francisco do Conde na Bahia (33.172 habitantes) apoiada na refinaria RLAM da Petrobrás, em segundo Porto Real no Rio de Janeiro ( 16.574 habitantes) amparada pela fábricas da Peugeot-Citroen e da Coca-Cola e em terceiro lugar, Louveira em São Paulo (37.153 habitantes) apoiada em fruticultura e turismo.

Sem dúvida alguma, que a expansão de uma loja com determinado perfil talvez não deva se dirigir a São Francisco do Conde ou então a Louveira, mas alguns tipos especiais de franquias, por exemplo, podem e devem priorizar estes municípios com indicadores de alta renda.

Uma leitura mais específica dentre os municípios com maior PIB, podemos encontrar alguns que começam a unir esta alta geração de renda, com uma população que começa a ser significativa, tais como Barureri, e seu efeito Alphaville, em 14º lugar e com 240 mil habitantes, ou então Paraupebas no Pará em 22º lugar e com 153 mil habitantes, ou ainda Itajaí em Santa Catarina em 34º lugar e com 183 mil habitantes. Certamente que em muitas destas localidades, diversas redes de varejo sequer imaginaram abrir uma de suas filiais unindo renda e volume no mesmo espaço.

Por outro lado, é importante avaliar que não obrigatoriamente PIB significa renda disponível, pois o valor pode ser gerado em um município e não obrigatoriamente permanecer integralmente por lá. Um exemplo importante é Manaus, que é o sexto município em geração de PIB que, porém, pelo efeito Zona Franca, não obrigatoriamente mantém toda a geração de valor neste município, mas acaba transferindo boa parte para centros maiores, onde estão localizadas as sedes de diversas empresas que se utilizam dos benefícios fiscais manauaras.

O que queremos reforçar por aqui é que muitas vezes as informações são desprezadas por algumas empresas que não adotam e se estruturam em termos de inteligência de mercado e partem para expansões meramente baseadas no feeling de seus dirigentes resultando, muitas vezes, em ações equivocadas.  É fundamental incorporar práticas que objetivem, cada vez mais, apoiar decisões em informações, muitas destas disponíveis gratuitamente. Mesmo aquelas informações cuja geração envolve recursos financeiros, uma vez absorvidas pelo processo estruturado de decisão, tornam-se extremamente palatáveis, pois reduzem significativamente os riscos inadequados e não planejados de investimentos.

Luiz Goes (lgoes@gsmd.com.br), sócio sênior de Inteligência de Mercado da GS&MD – Gouvêa de Souza.

http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/de-olho-na-pesquisa/a-informacao-esta-disponivel-para-quem-quiser-usar

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